Friday, November 11, 2005

Rede de engates

Toca o telefone. Uma voz elegante do outro lado da linha impõe-se, antecipando-se ao questionamento de quem recebe uma chamada de desconhecidos. Recebe um cumprimento meloso, dirigido ao Calú. Podia ser qualquer outro nome, o mais importante é fazer adivinhar intimidades. Tenta explicar, sem nenhuma convicção, que deve haver algum engano. Não vá a memória nos atraiçoar, partilham contextos, episódios, lugares e às vezes confidências engenhosas. Traz à cabeça uma lista rápida de nomes de guerra…não, nunca se vestiu de Calú. Definitivamente, houve um engano, reconhece com tom perdedor, mas empenhado na sedução. Forçam cruzamentos aos destinos. Alinham em jogos de palavras, risos temperados e silêncios eloquentes, entre suspiros desfalecidos. Cumpre-se o destino! Só quem está em rede saberá…

2 Comments:

Anonymous Paula said...

Olá Nkhuleko
Intrigante esse jogo de sedução... mas o final do post faz lembrar aqueles romances em que o autor deixa que o leitor imagine o desfecho, ou invente algum. Contudo, não posso deixar de questionar: que rede é essa que sabe o que os outros não conseguem advinhar? Como é que ela se forma e se expande? O que é que a sustenta? Desculpa a quantidade de perguntas, mas essa é a vantagem de poder comunicar com mais facilidade com os autores.
Um abraço

10:36 PM  
Blogger Nkhululeko said...

Olá Paula, faço minhas as tuas perguntas. Procuro estar atento ao que se passa, mas há sempre algo impenetrável. Pode ser que alguns dos visitantes nos ajudem a decifrar os enigmas...mas cheira-me à negócio.

12:09 PM  

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