Friday, September 29, 2006

Metamorfoses do nada

Cada um tem o seu apeadeiro. Alguns tiveram uma viagem curtíssima, a revolução não lhes corria no sangue. Foram obrigados a sair ao encontro de uma vida burguesa e de uma utopia do quotidiano. Outros, de punhos preenchidos com legítimos ismos, prosseguiram, ávidos de transformações radicais. Desceram no lugar onde o materialismo histórico resolveu adormecer. Poucos souberam seduzir os destinos. Esses são de lugar nenhum, sendo de todos. Estão sempre de passagem na própria casa. Prerrogativas de quem é um verdadeiro paradoxo. Pertencem a eles próprios, dão-se ao luxo de ter um preço. Agora falam de justiça. Proclamam repetições em nome de transformações. Exaltam a sua própria ambivalência. Memórias, relatos, discursos, diagnósticos, péssimas repetições, desculpas previsíveis, pompas, gravatas, marcas, mas sobretudo vazios. Ausência de tudo. Que importa? Rende e rende bem. Vende-se e compra-se muito bem. Circula dinheiro, reconstituem-se influências, multiplicam-se fingimentos, alimentam-se vaidades. É o Estado de Direito. Pois, eu já devia saber disto. Estou farto!

8 Comments:

Blogger Madalena said...

Lindíssimo texto a falar de coisas que doem. Terá a desilusão de fazer parte das nossas vidas de modo tão incontornável? Um beijo!

1:31 PM  
Anonymous Carlos Indico said...

Antes pensava que uma sociedade sem uma razoável riqueza distributiva não podia ser democrática.Ainda acredito. Mas os tempos passaram. As sociedades com riqueza suficiente também estão a regredir na governação democrática.
Não há saida.Haver há, mas não digo.
Encherem-nos o estomago, mas esvaziaram-nos a cabeça.

5:32 PM  
Anonymous Anonymous said...

compre um leao e treine-o no imaterialismo historico
(um curioso)

12:46 AM  
Blogger Nkhululeko said...

Obrigado Madalena. Acho havará soluções. Tenho e quero acreditar nisso.
Saída revolucionária, Carlos?
Caro anónimo (curioso), uma águia basta. Já a tenho e está treinada noutras coisas mais alegres. Os resulados virão.
Abraços

10:02 AM  
Anonymous Carlos Indico said...

Sem conflitos sociais não há avanço civilizacional.A questão está no grau do conflito, em determinado momento.
Talvez, mais uma vez, sejam os bárbaros que tragam a ordem.

6:58 PM  
Blogger Nkhululeko said...

Estarei enganado ou evitas a palavra «revolução», Carlos?

9:22 PM  
Anonymous Carlos Indico said...

Sim. Se calhar tem de se inventar uma nova palavra.
Diz-se "revolução". Significa o quê, hoje? Nada.Foi esgotada.

7:41 PM  
Blogger Nkhululeko said...

Esgotada porquê? Haverá melhor?

9:02 PM  

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