Saturday, March 04, 2006

Capulanas no xipamanine

Simbologias que desconheço, mas com uma poesia que me toca. Não me invade a angústia de decifrar as cosmologias em jogo. Perco-me, deslumbrado, no mundo de cores e formas com vida. Pela mão do lojista, entro na intimidade dos tecidos. Aprendo a seguir-lhes os rastos. Insinuam-se. Em cada capulana, descortino sorrisos gratos, danças ensaiadas, amores vingados, desfiles voluptuosos, feitiços cheirados, mas também lágrimas de (des)consolo. Compro várias. Todas precipitam-se a seguir o seu destino. Volto sempre ao Xipamanine...

9 Comments:

Anonymous bird on the wire said...

Maningue nice! E a casa sempre cheia, em qualquer dia do mês, em qualquer época do ano. A capulana vende-se sempre. Também gosto dessas visitas ao Xipamanine e volto sempre, porque, também as minhas, seguem quase sempre o seu destino, longe de mim...

1:04 PM  
Blogger Madalena said...

Não há Xipaminine sem mamanas e não há capulanas sem mamanas. E não há mamana sem uma capulana que lhe prende o filho sobre a anca larga e segura de mãe preta. Ou às costas, quando o trabalho o exige. Essas são as mães que não reclamam! Um abraço ao Xipamanine.

6:55 PM  
Anonymous bird on the wire said...

Alô Madalena, «mães que não reclamam» significa o quê?

10:25 PM  
Blogger MDeus said...

Xipamanine que saudades...do colorido dos tecidos, a quantidade...como gostava de aí voltar...espera por mim que eu volto cidade linda.

Um abraço, adoro quando coloca fotos para matar saudades.

Maria de Deus

10:54 PM  
Blogger Madalena said...

Bird, há lá mãe mais paciente que a mãe preta?!
Esta é só uma maneira de sentir, não é nenhuma polémica. Admiro só, até porque não sou assim, não fui assim, tão cheio de todo o tempo do mundo para os meus filhos. Espero pelos netos, para lhes devolver o tempo que não lhes dei!!! Abraço, Bird!

2:12 AM  
Blogger sara said...

Olá Madalena, esta podia ser uma discussão interessante. Acho que percebo o que queres dizer, mas não a forma como o expressas. Não sei bem o que é a mãe preta, porque mães pretas há muitas, desde as que vão apenas até ao Xipamanine, às que fazem compras na África do Sul, Brasil, Europa e Nova Iorque (poucas serão as que dispensam a capulana!). Não estou a entrar em polémica, mas confesso que rejeito este tipo de expressões que reproduzem estereótipos, quaisquer que eles sejam, e anulam as diferenças. Nem todas as mães do Xipamanine, como nem todas as europeias, se limitam a aceitar o destino. Lutam, reagem, revoltam-se, procura viver melhor. Nem todas são boas mães. Também se dividem entre o tempo dos filhos, o tempo do trabalho, o tempo dos transportes.
Uma coisa é verdade, as crianças em Moçambique não são vistas como seres tão frágeis. A maioria das mães europeias é demasiado aflita, preocupada, tvz por ter menos filhos. Aqui as crianças choram menos, são menos mimadas, menos dependentes das mães, mais soltas. Como tu, também eu espero aprender alguma coisa por estas bandas.

10:36 AM  
Blogger sara said...

sara que é a bird on the wire, pois!

10:37 AM  
Blogger Isabela said...

Eu também volto muitas vezes, nos meus sonhos. Depois fico triste. Porque não voltei mesmo.

12:45 AM  
Blogger cuco said...

Deixo um fraterno abraço de parabéns.Gosto dos escritos... Então este "Xipamanine"... ADOREI!!!

12:47 AM  

Post a Comment

<< Home